Secretaria de Assistência Social de Caarapó leva crianças a peça de teatro

Publicado: Quinta, 06 Julho 2017

Foto: Divulgação Grupo de crianças e de técnicos, orientadores sociais e facilitadores dos SCFV de Caarapó por ocasião da apresentação de peça de teatro em Dourados
Foto: Divulgação Grupo de crianças e de técnicos, orientadores sociais e facilitadores dos SCFV de Caarapó por ocasião da apresentação de peça de teatro em Dourados

A Secretaria Municipal de Assistência Social de Caarapó promoveu no último dia 3 de julho uma visita ao teatro municipal de Dourados com as crianças do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). Na oportunidade, as crianças assistiram à peça “Meu mano Humano”.

A peça teatral Meu mano Humano é um musical para crianças de todas as idades e trabalha com temas como adoção e diversidade, possuindo trilha sonora inédita contemplada com prémio Rubens Correa Teatro 2016 da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. As crianças beneficiadas com o passeio foram aquelas que atualmente participam dos SCFV no município de Caarapó, sendo o SCVF Sorriso de Criança I, SCFV Sorriso de Criança II (Nova América) e SCFV Pyahu Arandu Kuera (Aldeia Te’yikue). Foram contempladas com o passeio 101 crianças, além da equipe de trabalho composta por técnicos, orientadores sociais e facilitadores dos SCFV.

O SCFV
O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos é um serviço da Proteção Social Básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que é ofertado de forma complementar ao trabalho social realizado com famílias no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Os serviços realizam atendimentos em grupo, com atividades artísticas, culturais, de lazer e esportivas, buscando estimular e orientar os usuários na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais, coletivas e familiares.

O SCFV tem como objetivo fortalecer as relações familiares e comunitárias, além de promover a integração e a troca de experiências entre os participantes, valorizando o sentido de vida coletiva, possuindo um atendimento de caráter preventivo baseado na defesa e afirmação de direitos e no desenvolvimento de capacidade dos usuários.

 

Indígenas da Aldeia Te’yikue de Caarapó promovem o tradicional Temitỹ Ára, o Dia do Plantio

Publicado: Sexta, 30 Junho 2017

Foto: Divulgação Cerimônia foi realizada na sede da Aldeia Te’yikue, em Caarapó, com participação da comunidade indígena, estudantes e convidados
Foto: Divulgação Cerimônia foi realizada na sede da Aldeia Te’yikue, em Caarapó, com participação da comunidade indígena, estudantes e convidados
Os guarani-kaiowá da Aldeia Te’yikue de Caarapó promoveram no último dia 24 o denominado Temitỹ Ára – Dia do Plantio. Desde 2008, a aldeia e as duas escolas da aldeia - Ñandejara Polo e Yvy Poty - convidam seus anciãos, os mestres tradicionais, nhanderu e nhandesy, para uma aula especial que acontece todo dia 24 de junho.

Segundo os organizadores, o dia 24 de junho, ou mais precisamente, o solstício de inverno, é o início do ano no calendário Guarani e Kaiowá. No último sábado foi realizado mais uma vez o ritual do batismo de todas as sementes tradicionais que serão plantadas, além de praticadas as rezas para purificação das roças.

Conforme os professores indígenas, isto é necessário porque as plantas são consideradas como crianças recém-nascidas na comunidade e precisam ser recepcionadas com grande alegria e esperança para que produzam de forma saudável e satisfatória para o sustento da comunidade. “Alimento saudável, sem venenos, tornam as pessoas saudáveis”, lembrou o mestre tradicional Lídio Sanches.

A semente plantada, quando estiver na época da colheita, no caso do milho branco, possibilita realizar o jerosy puku (ritual de longa duração) e jerosy mbyky (ritual de curta duração), reverenciamdo a Jakairá (divindade que cuida das plantas) porque dele se originaram, segundo os antepassados, todas as sementes existentes na terra e, desta maneira, os Guarani e Kaiowá realizam esta cerimônia para buscar a sua presença praticando o cultivo de maneira tradicional.

A preparação da cerimônia na Aldeia Te’yikue levou a semana toda e teve o envolvimento dos professores e estudantes. Entre os preparativos para o batismo das sementes, houve a preparação da chicha pela comunidade, servida durante a cerimônia.

No dia 24 houve uma aula dos rezadores sobre “o fortalecimento da cultura e a práticas de ensino na tradição Guarani Kaiowá”. No almoço foi servido cardápio tradicional: locro (canjica com carne), chicha (bebida tradicional), pirekái (mandioca assado), jety mbichy (batata assada), avati mbichy (milho verde assado), pira mbichy (peixe assado) e outras iguarias.

No período da tarde, foi realizado o batismo da terra e o plantio do milho branco na Unidade Experimental da Escola, espaço de roça e de aula onde os alunos do ensino fundamental vivenciam o contato com a terra e a produção de alimentos. A manutenção desta prática pela comunidade é momento de reflexão e aprendizado sobre a importância da compreensão da cosmologia Guarani e Kaiowá.

O temitỹ ára começa no início do inverno e, segundo o Ñanderu Florêncio Barbosa -“Baxinho”, o Eichu Jaty e Eichu Parĩ (as estrelas conhecidas como Três Marias e Sete Marias) é a divindade que cuida do frio, onde os Ñanderu fazem a reza para gear durante o inverno, assim cuidando do processo de preparação da terra para o plantio. A geada é o que faz o controle de pragas, segundo ele. S não gear, na próxima estação as pragas se proliferam e também começa cair chuva de pedra, podendo prejudicar as plantações. No entanto, indica que está a caminho a primavera, chamada da ÁRY POTY pelos kaiowá, e que, portanto, é preciso começar a preparar a terra e as sementes para o plantio após o tempo da neblina e dos trovões, ÁRY RATATINA, que antecede as chuvas, momento em que a terra já deve estar semeada, pois os agricultores kaiowá e guarani já não podem sair cedo de casa.

Se todos os cuidados forem seguidos ritualmente virá o tempo da colheita, Áry vy’a, ha’e avei áry rory, te’ýi jusu vy’aha. Assim, o tempo reiniciará um novo ciclo, a natureza se renovará, evitando o colapso do mundo, graças à prática dos rituais sagrados.

Foto: Divulgação
Cerimônia foi realizada na sede da Aldeia Te’yikue, em Caarapó, com participação da comunidade indígena, estudantes e convidados

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